segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sempre Apaixonada?


Definição de Paixão:
“Grande sofrimento; martírio, sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa; atividade, hábito ou vício dominador a coisa, o objeto da paixão ou da predileção furor incontrolável; exaltação, cólera, ânimo favorável ou contrário a alguma coisa e que supera os limites da razão; fanatismo.”
Não é um exagero o que dizem sobre a paixão, esse sentimento louco e intenso. Concordo com a definição citada acima, retirada do dicionário Houaiss. Por mais que ela seja considerada um “grande sofrimento”, não conheço alguém que nunca tenha desejado passar por isso e se entregado de corpo e alma. Me pergunto como uma coisa tão assustadora pode ser ao mesmo tempo tão boa? Apaixonar-se é abrir-se para o outro sem nenhuma garantia, e você quase sempre se fode, ops! quebra a cara. Fato.
Eu não consigo me lembrar de uma época em que eu não estava “de quatro” por alguém. Minha primeira paixão, aos 8 anos, foi pelo ator Murilo Benício que fazia a novela vira-lata. Desde criança tenho uma queda incrível por sobrancelhas grossas, e a dele era perfeita. Na 4ª série, apaixonei-me por um garoto que estudava comigo, e por ele também se chamar Murilo, acreditava que era “coisa do destino”. Desde então eu era levada a atos desaconselháveis em nome do amor. Certa vez grudei chiclete no cabelo da menina que vivia dando em cima dele. Essa paixão durou muito tempo, até que mudei-me de cidade.
Aos 12 anos, apaixonei-me loucamente pelos Backstreet Boys. Graças a eles eu aprendi inglês sozinha, pois acreditava que isso tornaria possível a minha futura comunicação com eles. Paixões podem virar sua vida de pernas para o ar, e nos levar a completa insensatez. Certa vez levei uma bela surra por ter escrito na parede do meu quarto “I LOVE BACKSTREET BOYS” com giz de cera preto e azul.
Aos 14 anos me apaixonei por um cara 10 anos mais velho, apenas porque ele tinha o cabelo igual do Nick Carter, a diferença é que ele era cantor sertanejo. Passei então a decorar todas as musicas desses cantores que ele dublava. Este sim foi um amor platônico, escrevi um caderno inteiro de “fulano te amo”, se emendasse todas as folhas dariam quilômetros. Cheguei a entregar o caderno a ele, mas esse “amor” acabou passando quando me apaixonei pelo locutor da radio da cidade que morava.
Eu o considerava crânio só porque ele era bom em matemática. Desde então ia para a escola uma hora antes da aula para poder passar pela rua da casa dele. Eu fazia um desvio enorme, andava quarteirões a mais, e ao subir aquela rua tinha a sensação de que ia desmaiar e meu coração batia forte, tudo por causa da simples possibilidade de vê-lo. Fiquei boba, completamente fora de mim.
Enlouqueci minha família com recitações do tipo: “Ele gosta de mim”, “Ele não gosta de mim”, “Você acha que ele gosta de mim?”. Achava-o perfeito. Em perfeita proporção inversa, quanto mais boba você estiver, melhor o candidato em questão vai parecer.
Mas também passou. Isso pq apareceu um outro candidato. “Amei-o” porque ele falava palavrão e tocava guitarra (nessa ordem), também porque usava brinco e meu pai odiava isso. Isso fazia dele um completo “bad boy”. Perturbei-o dia e noite para que me ensinasse a tocar, e como ele espancava todos que o tiravam do serio, eu considerava o fato de ele nunca ter me batido como um sinal de seu amor puro e eterno. Desse “amor” herdei apenas o bom gosto musical que perdura até hoje.
No segundo colegial quis ir para um convento. Não que eu fosse uma garota devotada e seguidora dos ensinamentos do Pai eterno, pois sempre esquecia versos do “Pai Nosso”. A verdade é que me apaixonei por um seminarista que ia dar cursos e divulgar a igreja na escola. Passei a freqüentar missas todos os domingos. Até que um dia não mais o vi nas cadeiras dos coroinhas que cercavam o padre. Parei então de ir à igreja e desisti do seminarista, que eu nem sabia o nome. Ele nunca ficou sabendo da minha existência.
Aos 18 anos amei intensamente o meu instrutor da auto escola, que também me fascinou com seu par de sobrancelhas grossas. Tal paixão me levava a pular de alegria cada vez que eu reprovava no exame. Tanto que levei um ano só pra conseguir a carta na categoria “B” (E não sei dirigir até hoje). Mas eis o grande problema: descobri que ele era casado. Tive que desistir, óbvio. Uma coisa que percebi: quando estamos cegos por alguém, não são raras as noites em que sonhamos com a pessoa em questão. E acordamos mal humorados por saber que foi só sonho.
Me apaixonei tantas vezes que é difícil me lembrar de todas. Paixões que duraram de duas horas até outras que duraram anos. De cantores de modão a astros de Rock and Roll, de figurantes de novela a atores consagrados como John Travolta, passando por quase todos os jogadores da seleção alemã de futebol (principalmente o Ballack). As maiores decepções foram os que eu descobri serem gays após longos períodos de conversa e expectativas. Eu os desejava com toda intensidade. Como uma espécie de tifo emocional, há a fase inicial de contato com o “agente infeccioso”, um período de incubação, depois a fase de delírio febril, seguido por um longo período de recuperação.
A paixão é na verdade um coquetel de hormônios liberados por algo tão simples quanto um olhar. Você pode estar calmamente andando pela rua e um segundo depois se sentir abobalhada com a inacreditável beleza do rapaz empilhando garrafas no supermercado, ou apaixonar-se pelo médico que lhe visitou na ultima vez que você adoeceu, ou ainda pelo seu dentista... A escolha não é sua. Pode ser acaso ou não. "Fiquei" por 2 meses meu dentista. Larguei-o porque ele gostava de alho, e eu odiava branco.
Primeiro ano de faculdade, todo intervalo ia tirar xérox de qualquer coisa inútil, para poder passar perto da classe do novo pretendido... um cara baixinho porém com uma sobrancelha linda. Por um tempo, foi outro amor platônico, até que um belo dia troquei minhas primeiras palavras com ele. Na época, ele era meu sonho de consumo. Sim, na época... E depois de conseguir algo que voce muito quer, acaba perdendo a graça. E ele não foi uma exceção nessa regra.
O que me leva a mais duradoura paixão da minha vida: o conheci pelo Orkut! E ele era diferente. Não falava palavrão, não era gay, talvez um pouco baixinho... mas tambem tinha sobrancelhas perfeitas. E era baterista. Não foi amor a primeira vista, mas o fato dele morar longe e ser um amor quase impossível pela distancia e por questões familiares me levou ao súbito interesse. Como já dizia Shakespeare, “A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe”. Dito e feito!
Começamos a namorar. Foi meu único namorado sério, namoro este que acabou após dois anos e pouco. E quando acabou, decidi de uma vez por todas que eu deveria morrer. Quando tentei o suicídio (mal sucedido) pela primeira vez, e após diversos ataques estéricos, seguidos de momentos “Amy Winehouses” minha família decidiu que eu deveria freqüentar um psiquiatra. Tive que tomar altas doses de antidepressivos, ansiolíticos e calmantes. Quatro meses depois eu já estava recuperada e abandonei por conta própria os remédios. Jurei pra mim mesma: esse foi o último, jamais vou amar alguém.
E eis o problema final: quando você pensa que entendeu as forças atuantes, alguma coisa acontece para acabar com todas as suas teorias.
Eis que em uma das “saideiras” com um amigo, conheci a mais rápida paixão da minha vida. Era festa e eu estava no camarote de imprensa por causa do meu trabalho, quando o vi pela primeira vez. Ele era lindo, um “anjo”. Mas mentiroso. Após alguns dias acabei descobrindo que ele era NOIVO. Isso mesmo. Algo nele havia me chamado a atenção além dos olhos azuis: ele era divertidíssimo e sabia mexer as 2 sobrancelhas como ninguém! Eu, rockeira de cabelos vermelhos com mechas loiras, que usava coturnos e roupas pretas, comecei então a freqüentar festas de peão, apenas para que pudesse contemplá-lo. O apelidei de “meu” querubim. Eu enfim havia sentido novamente as borboletas voando em meu estômago. Como já dizia Oscar Wilde, “A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais”. Durou 3 semanas. Depois dele, teve o Betto, cantava até bem apesar de eu não curtir o gênero, uma gracinha, mas apresentava sérios sintomas de esquizofrenia. E o Pedro, lindinho, pintor de telas sem sentido, porém compulsivo por antidepressivos.
Eu poderia esperar por mais alguns anos para escrever esse texto, até lá certamente já teria se tornado um livro, de tão grande. A questão é que não há como prever se um dia ele se encerrará com uma linda história que “deu certo”. Pode ser que minha próxima paixão seja eterna e termine com a frase “Casaram-se e viveram felizes para sempre”. Ou pode ser que eu tenha mais umas 327 histórias de paixões correspondidas e não-correspondidas. Paixões estão aí para serem vividas e desfrutadas, para que possamos cometer algumas loucuras e deixar com as experiências algumas histórias pra contar para os netos - se os tiver um dia. E o mais legal de tudo isso é saber que... a gente pode se apaixonar quantas vezes quiser. Mesmo que for pela mesma pessoa!

(*Histórias baseadas em fatos reais. Apenas baseadas, o que não significa que são totalmente reais. Os nomes citados são fictícios)

10 comentários:

Bianca Monsores disse...

Intensa! uehueh...Adorei o texto, divertido,realmente dá vontade de ler até o final! Gostei da sua meneira de escrever!
Beijos.

David Monsores disse...

Olá!!
Escreve muito bem, muitas paixões, algumas de duas horas outras de anos...
Na verdade o que mais gostei foi o verso do perfil e a frase que é perfeita, fiquei apaixonado: "O vento é sempre o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha..." Isso foi demais!!

beijO!

Raphael disse...

Adorei seu post! Muito espontâneo, verdadeiro, e como um dos comentários acima, intenso!

A paixão realmente é algo arrebatador, ultrapassa as barreiras da razão... Como controlar essa "coisa"? rsrsrs

O mais interessante de tudo é que a primeira definição dada pelo dicionário Houaiss é "grande sofrimento".

Beijão!

www.blogdomaximo.zip.net

Rodrigo Moreira Pinto disse...

O que me surpreendeu mais neste post foi a sinceridade que ele transpassa. A primeira pergunta que me veio a mente quando estava lendo era "mas por que diabos ela resolveu contar tudo isso num blog?" Costumamos guardar este tipo de coisas para nós mesmos e, mesmo você não citando nomes dos envolvidos, acho supr ousado falar deste modo.

A maneira como vc escreveu é um relato informal. Consigo me imaginar vc contando isso numa conversa de bar... exceto pelas ausencias de digressoes tão presentes em conversas informais q não há em seu texto.É um texto muito gostoso de ler e imagino q diversos marmanjos por ai gostariam de estarem de alguma forma citado nele!

bjs

e feliz dia dos namorados!

KAtheRyNA disse...

hahaha
Obrigada!
É, acho que foi ousadia da minha parte publicar este texto que venho escrevendo há muito tempo!
mas realmente é interessante compartilhar com as pessoas, algo que certamente todo mundo já sentiu!
Amanhã é dia dos namorados, até tenho um poema legal sobre "ser namorado" que escrevi há um tempo... mas como estou solteira, seria traumático para mim publicá-lo! hehehe

"Infeliz dia dos ex-namorados!"

Guilherme disse...

Olá, Gostei do seu texto, divertidíssimo, diria até hipnotizante...
Eu pelo menos encaro os amores passados como uma fonte de aprendizado, levamos as lições com as respostas certas pra não errarmos no futuro.
Verônica decide morrer na minha opnião é o melhor livro do Paulo Coelho
Parabéns pelo Blog
beijos

Bruna disse...

Realmente intensa!Olha como você tem histórias! Pode fazer um filme ou um livro! Eu assistiria e compraria! :) Mas voce vai ver que quando vc menos esperar! MENOS MESMO! voce vai encontrar algue´m que te faça imensamente feliz, porque voce merece! Sabe, gostei msmo de voce. É uma das poucas pessoas que conheci pela internet, pelas quais senti um "afeto". Gosto de conversar com voce, te acho simpaticissima (apesar de não nos ci]onhecermos pessoalmente, mas não se esqueça que ainda vou pra sua cidade tirar fotos, hein?) e te desejo de coração mesmo, toooda a felicidade do mundo! beijo beijo

lili_kinho_zin disse...

nunca fui de ler textos grandes, mas o seu, NOSSA, vc escreve de uma forma que prende a nossa atenção. vi seu orkut e resolvi passar aqui por pura curiosidade, gostei do teu jeito. Além de linda, vc tem muito conteúdo viu.

parabens pelo texto, suas paixões foram muito divertidas!! hauhua

Carol gama disse...

Escrever texto plagiado é fácil, fácil. Você apenas modificou algumas partes. E nem se dignou a dizer que era adaptação do texto de alguém. Nem adianta espernear. Sei que a maioria das palavras contidas neste texto não são suas. Se quiser escaneio as páginas de um belo artigo onde uma americana escreveu grande parte deste texto para uma revista anos atrás para provar. Se não tem capacidade para escrever seus próprios pensamentos. Então dê o crédito a quem de fato merece. E ainda quer dar dicas para escrever bem. Plagiando texto alheio qualquer um dá.

Carol gama disse...

Até o título foi plagiado. Isso é crime sabia? E ainda tem coragem de dizer que está escrevendo este texto há muito tempo. Coragem a sua. O que será que a autora original diria se visse isso??