segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dia das Mães


Eu não tenho muitas fotos dela e as poucas que tenho já ganharam o tom amarelado do tempo. A primavera de Vera, minha mãe, foi cortada no verão de 94. Na época em que se revelava um filme de 36 poses de tempo em tempo e as cores já nasciam desbotadas no papel. 

Mas na memória, onde as cores sobrevivem, me lembro do alaranjado do céu quando o sol nascia. Ela me carregava no colo todo dia, às seis da manhã, para que eu pudesse vê-lo aparecer em meio aos altos pinheiros do quintal. Eu achava as cores das nuvens incríveis e não queria perdê-las nenhum dia. 

Lembro também do pé de azaleia cor-de-rosa, era sua flor preferida e ficava no jardim da casa de minha saudosa avó. O pé de azaleia ainda resiste ao tempo, na casa que agora é de minha tia, embora as folhas também tenham perdido a cor e já não floresça como há 20 anos.

Eu não me lembro de ter dado um abraço ou um presente nesse dia que é dela. Quem dirá feito uma homenagem. Mas ainda me lembro do seu rosto, do cabelo preto ondulado e de seus olhos verdes sempre que ouço a palavra mãe. 

Mesmo que eu tenha poucas fotos pra mostrar, ainda sobra muita saudade pra sentir.
Em tempo, um feliz dia das mães a todas as mamães por aqui.

Nenhum comentário: