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domingo, 11 de julho de 2010

Fotografo porque...

... a ideia do fim me dói.

"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória."

Observam e me perguntam por que sempre estou com minha máquina fotográfica. Meus amigos sentem-se, muitas vezes, incomodados por eu querer fotografar a todo o momento, principalmente quando os incluo entre as fotos. Alguns até se recusam. Explico.

Penso que tudo o que é belo deve ser imortal. Não suporto - tampouco aceito - a idéia do que é efêmero. Acho que os bons momentos devem ser eternizados. Talvez seja uma espécie de luta contra a morte.

Fotografo um pôr do sol, porque sei que ele nunca será o mesmo embora o sol renasça a cada dia. O céu é sempre belo, mas as nuvens transformam-se constantemente.
Fotografo uma flor, para que ela permaneça com suas cores vivas, mesmo após o tempo que envelhece, que seca, que mata.

Fotografo um sentimento – e sim, é possível fotografar sentimentos – para que continue vivo mesmo com sua efemeridade. Um sorriso, uma lágrima, um abraço. Olhares cheios de amor eternizados em fotos, mesmo que adormecidos dentro dos corações dos amantes. A felicidade que dura um pequeno instante.

Fotografo pessoas. Porque elas se vão, sempre. E fica essa lembrança, apenas.
Fotografo a chuva, a folha molhada, porque as gotas espalhadas uniformemente nunca cairão sobre a mesma superfície em semelhante disposição. É a arte da natureza, diferente a cada dia.
Fotografo momentos, porque também não se repetem com a mesma exatidão, nem com o mesmo sentido.

Fotografo a mim mesma, porque conheço a inexorabilidade do tempo e sei que ele trará inevitáveis rugas à minha face.
Fotografo um rio, pois quando tornar a vê-lo, as águas que correm por ele jamais serão as mesmas.

Fotografo monumentos, que o tempo e a chuva vão corroer, consumindo-os lentamente.
Fotografo as festas que vou. Ao rever as fotos posso ouvir as músicas na minha memória, relembrar de cada pessoa que fez parte da minha vida, mesmo que por apenas algumas horas.
Fotografo a primavera, o outono, o inverno, o verão. Uma eterna metamorfose cíclica. E não sei quantas voltas ainda poderei ver.

Desde que comprei minha primeira câmera, tenho minha vida eternizada. Meus amigos, embora reclamem. Meus amores, embora nem sempre seja tão bom recordá-los, sei que estarão lá, guardados, como prova de que um dia valeu a pena.

Entristeço quando um belo momento passa diante de meus olhos sem que eu tenha uma câmera em mãos. Pois além de querer compartilhá-lo, sei que não é seguro submetê-los apenas ao teste da memória. Porque com o tempo, ela enfraquece.

E quando eu me perguntar para onde foram os dias que eu vivi, a reposta estará em cada página dos álbuns que eu abrir.

Já dizia o poeta que “recordar é viver...”