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domingo, 4 de julho de 2010

Na feira de domingo...



Hoje foi dia de feira aqui perto de casa. As feiras aqui em São Paulo se assemelham muito às do interior, exceto pela vastidão dos corredores. Marco presença quase todas as manhãs de domingo, quando consigo acordar sem que o despertador interrompa meus sonhos. Por isso aos finais de semana deixo a janela aberta: para despertar espontaneamente com os raios do sol.

Gosto de ir à feira para saborear os famosos pastéis de vento que, por sinal, aqui são muito bem recheados e trazem o gostinho da minha infância, gostinho familiar de "quero mais". Tanto que até esqueço que me encontro em um “mundo desconhecido”, sozinha em uma cidade gigante como essa, perdida entre tantos rostos.

Mas além dos pastéis, das vozes dos feirantes que se misturam, cada qual oferecendo sua melhor colheita, além da infinidade de cores, cheiros, sabores, além dos cachorros rodeando o “churrasquinho grego”, dos carrinhos atropelando meus pés e dos legumes pisoteados no chão, muita coisa desperta meu olhar curioso.

O vendedor de mel que enfrenta o medo das abelhas para poder oferecê-lo em pequenos gomos, a simpatia dos feirantes que nos abordam com um "bom dia" e nos oferecem o fruto de seus trabalhos, e que com certeza são os melhores publicitários que já conheci: “Olha a abobrinha baratinha, olha o morango fresquinho!” Também a esperança da vendedora de buquês de flores que acredita que levará um pouco mais de amor, sorrisos ou mesmo de reconciliação aos enamorados, e a alegria do vendedor de peixes que se diverte jogando pedrinhas de gelo em seu concorrente. Mas não, não há concorrência! Lá todos são amigos, unidos por um mesmo propósito.

Eu queria falar de todos, mas encerro com o vendedor de garapa que me chamou muito a atenção. Com esforço ele mói cada galho de cana, que aos poucos se transmuta em um líquido tão doce quanto mel. Como se estivesse moendo a rudeza e o amargor da vida para extrair a brandura de um viver adocicado. E em copos de 300 e 500ml acredita que pode espalhar um pouco mais de doçura por aí, a um preço que todos podem pagar... E espalha! Não apenas o sabor doce da cana, mas a ternura de palavras gentis, de um sorriso aberto a cada um que se aproxima de sua barraca.

Em dia de feira parece que tudo fica mais alegre e colorido, apesar da languidez do domingo. Que bom seria se, além de copos de garapa e gomos de mel, vendessem copos de ternura, potes de felicidade, doses de ânimo e pacotinhos de sorrisos. E como isso não é possível, sejamos então como o vendedor de garapa: façamos a nossa parte para adocicar um pouquinho a vida de cada um que cruza nosso caminho pelos corredores da vida!