
O amor está com a data de validade vencida. Se não, está pra
vencer. Os casais cada vez mais pensam no “eu” e se esquecem do “nós”. Cobram
por amor “full time”, mas não estão dispostos a doar-se inteiramente por esse
mesmo amor que esperam. Querem o “feedback” da atenção que não dão.
Companheirismo, paciência e tolerância com os defeitos do
parceiro não têm mais espaço. Cederam seus lugares ao desejo de um “amor
mercadológico” e instantâneo: tenho tudo o que quero, experimento, uso, jogo
fora ou troco por um modelo melhor na hora que eu quiser. Os aplicativos de pegação
estão aí: é “delivery de amor”, 24 horas.
Tem relacionamento que segue a linha “fast-food”. Isso mesmo:
comida rápida. Muitas vezes cobram a lealdade do parceiro, mas não querem
prender-se a uma única pessoa já que há tanta oferta barata por aí. E tão
barata e fácil, que aquele belo “amor à primeira vista” já deu lugar ao “amor a
prazo”.
Sim, e o prazo é curtíssimo: é quase um amor descartável,
encontrado aos montes por “search” nas redes sociais. Ganha quem conseguir o
maior “time per person”, não necessariamente nessa ordem. Tem gente que quer
ser “freela” quando o assunto é amor.
A casa vira uma empresa, o casamento um bem de consumo. E
dependendo da sua sorte você fica com os bens. A Lei até facilitou o divórcio. Devem
estar prevendo que amor se tornará uma instituição falida.
Alias, alguém falou de amor? Em breve, uma nova reforma
ortográfica vai eliminar de vez esse vocábulo de livros e dicionários. E as
declarações de amor? Se já não foram extintas, serão tão raras e rápidas que
vão ser dignas de “retweet”.
O “deadline” do amor está próximo. De repente, a modernidade
abriu um notável espaço para o desamor. Melhor ficar em modo “stand by”.